10 de junho de 2018

Tempos Difíceis


Nem sei se estamos realmente vivendo tempos difíceis, mas não vejo que as coisas estejam certas. É complicado lidar com pessoas que deixam claramente a sensação de não quererem fazer as tarefas como devem.

 Não que devam ser obrigadas por serem remuneradas para tal mas, ao menos o respeito de sua escolha e decisão na carreira que está seguindo, principalmente àqueles a quem você tem que dedicar especial atenção.

Lidar com o ser humano é deveras complexo e muito delicado. Dependendo de como você lhe dirige a palavra, sua reação pode ser a menos esperada. E aí, o que fazer nesse momento tenebroso?
Todos temos nossos sonhos, nossas conquistas e basta fazer nosso esforço para que conquistemos cada vitórias dessas. Porém, nada nesse mundo é fácil como gostaríamos que fosse, muito pelo contrário, viver é para os fortes. Se se sentir fraco em meio a tempestade, com certeza você será levado com ela.
Bem. Acordei hoje sabendo que seria uma linda e agradável segunda-feira [quando escrevi este texto]. Para muitos, esse é o dia da semana que não se gosta. Todos tem que acordar cedo e ir para o seu trabalho, e isso requer um bom ânimo e positivismo. Mas estou aqui, dedilhando em meu teclado as ideias que surgem em minha mente e expresso aqui momentos que infelizmente acabam incomodando.
Meus amigos, não quero ser aquele ser chato que só fica reclamando da vida. Ou, por mais educado que eu seja nas vontades de que meus gostos sejam respeitados, qualquer pessoa acaba se sentindo escravizada.
Existem poucas que entendem minha situação e ofertam até um pouco mais que o necessário mas, quando veem alguém que sofre por se sentirem obrigadas a fazer algo que tem que ser feito, isso exige uma paciência descomunal.
São essas as palavras que estão borbulhando em minha mente, uma vontade de parar o tempo e tentar consertar as coisas que estão muito erradas. Eu me questiono, até onde isso vai dar? Como será quando isso tudo chegar ao extremo e, o que realmente quer que aconteça, o que realmente deve acontecer ou ser? Há alguma explicação para que o sentimento humano que aqui permeia esteja cada vez mais próximo da porta de saída?
Entendo que a crise que nos cerca de certa maneira tira o brilho de nossas faces e quando despertamos de uma noite mal dormida, acompanhados por um fantasma que nos assombra, permitindo que nossas mentes se transformem em um inferno cheio de pensamentos ruins, deixamos de pensar no próximo, agimos no piloto automático e sem que tenhamos algum conhecimento no universo que estamos nos envolvendo, não fazem as tarefas da maneira que devem ser feitas.
Falar sobre harmonia soa como um sussurro distante e distorcido. Parece que estamos vedados às emoções, e, quando um enfermo se mostra diante de você, por meros segundos, o medo lhe domina. O que fazer nesse instante? Como devo me apresentar? Ou o que tenho eu para lhe oferecer para que, ao menos, suas dores se tornem calmas?
Diante de tudo isso, o que mais se perde é a razão. Perder a razão não significa apenas estar esbravejado, gritando aos deuses palavras hostis e dirigindo-se ao seu irmão com o punho cerrado. Perder a razão é também estar em seu silêncio e achar que o que se deve fazer é apenas seguir os passos do outro. Porém, seguir apenas o que em sua frente se encontra não lhe traz aprendizado. Você apenas está omitindo seus gestos e assim, o primordial de tudo que deveria ser passa em sua frente, como a brisa leva o tempo, e este jamais retorna.
É mais que óbvio que não queríamos ter que lutar na vida para termos o sustento de nossas casas. Seria deveras maravilhoso que tudo caísse do céu e assim nos acomodássemos em paredes de madeira. Mas de que adianta viver assim? A vida não é isso, ela todo santo dia deita sobre nós e esbofeteia nossas faces na exigência de nossa luta, pois em suas mãos, ela tem sim, condecorações a nos ofertar.
E assim, diante da montanha que em minha frente desponta, mesmo eu, por mais que a fraqueza me domine, tenho forças para lutar, para guerrear, para vencer.
Por favor, se um dia, diante de sua presença, eu quiser lhe ensinar algo, não me considere o pior dos piores. Não diga que deixo de ser humilde pois realmente posso não ser, mas o que pretendo é que você possa enxergar que você também tem o direito de ser um grande vencedor, sendo que na verdade, você pode não ver mas, sim, você é muito mais do que imagina ser.

Paulo Henrique Machado é morador do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo desde 1 ano e meio de vida, quando contraiu poliomielite. Ligado a um respirador artificial, escreve sobre como tudo chega até ele, o que aprendeu e o que observa de cada situação

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